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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Primeiro vieram os rinocer(antes) e depois um punhado de zebras.

Primeiro vieram os rinocer(antes) e depois um punhado de zebras. Este é um texto cifrado, você não vai entender muita coisa. O que importa mesmo são as imagens, e cada vez menos, o que você é capaz de fazer com elas. Num mundo de listas, há animais que têm listras, sendo – por mais incrível que isso possa lhe parecer – muito discretos.

Há também uma espécie de rinocerontes que são unicórnios e nada têm a ver com aqueles cavalinhos mitológicos. Não são animais mágicos, não voam, são pesados (mas não no sentido das arrobas de um boi). O peso dos rinocerontes vem de sua consistência animal.

O desafio é criar conceitos que têm o peso de um rinoceronte e ao mesmo tempo a harmonia e a singularidade das listras de uma zebra.

domingo, 3 de abril de 2011

Try walking in my shoes.


It’s in your shoes, babe, in every step that you give. I can tell you exactly where you been. Nowadays, our digital traces, these new model boots are doing the same. The nomad walks on the desert, after each step, no line, no trace, you can’t track them. A pair of shoes is like a concept, a philosophical concept. You better use your own shoes. The shoes that best fit with the kind of step you need to give. And you walk. Comfort is not exactly what a good pair of shoes should offer you. Some strong boots are not comfort but they resist to challenging temperatures, cracks on the floor, sand, water... giving you speed. Try walking in my shoes, try working with the concepts I offer you, the ones we can build together.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Os Intercessores e o fabular



“Os intercessores são os responsáveis por pegar as pessoas em flagrante delito de fabular”. (Deleuze)

Ora, ora, o fabular, mas o que diabos pode bem vir a ser isso? A guisa de definições, mesmo que pueris, transitórias e inacabadas, percevejo (i.e. ato de perceber e ver) em nós uma tendência a fabular, que pode vir a ser até mesmo contar uma história, desde que inventada e vivível, tal como na literatura prática que Deleuze nos apresenta em seu Crítica e Clínica, tanto melhor se vivida em suas intensidades e não transformada num drama de cunho pessoal. Fabular como invenção de um modo de existência em que afirmamos os possíveis em uma Vida na busca por saídas criativas frente ao que compõe nosso cotidiano.

Infelizmente, no mais das vezes, dispensamos a potência ativa do fabular fazendo-o de modo reativo, negativo, contra nós mesmos, contra a Vida. Sucumbimos assim tal como presas fáceis dos microfacismos vampirescos que nos atravessam e nos pomos no exercício de conspirar contra a Vida, de praguejá-la. A isso, de praguejar a Vida, costumo chamar de síndrome de Datena, vocês conhecem este ás da comunicação e seu telejornal quase que diário? O problema não é ele, nem está com ele ou em seu telejornal, mesmo porque este último funciona mais como um analisador que coloca em evidência a tendência a fabular de modo reativo que nos é tão comum. O problema há muito já saiu da tela do aparelho de TV e invadiu o nosso cotidiano, pois com os elementos presentes no modo de apresentar uma notícia, da maneira pseudo-jornalismo-verdade em que esta é ali e em outros telejornais do mesmo tipo tratada, nós fazemos miséria, sem nos apercebermos o quão miseráveis também nos tornamos. E a audiência confirma a tendência que aqui afirmamos sob o seguinte alerta: nossas fabulações prescindem de serem postas em análise... mais um desdobramento de nossas análises de implicações.

Fabular nos permite extrair da fragilidade uma potência em que desenhamos um ou vários destinos, tal como os estóicos concebem destino, em que criamos personagens conceituais e povoamos o deserto do real. Para atravessar este deserto do real contamos com a presença de intercessores, estes que podem ser dos mais variados tipos (e.g. animais, plantas, minerais, livros, idéias, etc.) e que se põem entre nós, chegando às vezes sem avisar, tal como o vento, se pondo a trabalhar conosco.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

palavras antiquadas, os conceitos

... na ausência de palavras adequadas, use as antiquadas, as menos valorizadas, outras tantas sujas, mal pronunciadas... matéria prima para a fabricação de conceitos. Diga estas, mas não as que já não dizem nada, mesmo que soando tão belas.

Às vezes um conceito de outrora aparece enquadrado dentro de uma moldura, tal como uma "obra de arte", cujo valor, segundo Oscar Wilde, o crítico desconhece, apesar de lhe conferir sempre um preço (ou de depreciar). Às vezes um conceito porvir, jamais inventado, advém do engendramento entre linhas quebradas, incertas, fragmentadas.

Já nos disseram D&G, desconfie dos conceitos que não foram criados por você. A Filosofia definida como fabricação de conceitos.

Aliás, reflexão para a hora sem sombras: O que pode um conceito?