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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um suspiro... Oh Vida curta! O que não é intenso não me interessa.

Nas praias da imanência de uma Vida e suas virtualidades, com ondas que quebram na areia, eu tento aprender a surfar com Deleuze, meu professor de surf predileto, ou ao menos a pegar um jacarezinho para não levar um caldo.

A Vida à altura de seus acontecimentos, tal como nos ensinou o bigodudo do martelo, Nietzsche, certamente inspirado na concepção de destino das “fábulas” dos Estóicos: “O guerreiro dá um passo e é atingido pela flecha. Se não morre, passa a viver uma Vida outra, após a flechada e os limites que esta lhe impõe.”. Há ondas violentas mesmo, mas o que nos derruba, no mais das vezes, é o medo que temos de perder o equilíbrio.

O mais delicado e o mais sutil são de uma intensidade absurda. Há ocasiões em que um suspiro se equivale a uma onda. O mar suspira em ritmos variados. Surfar em meio a suspiros pode ser uma tarefa ofegante.

Neste instante, tal como numa onda, e eu nem sei ainda o que move o mar, tampouco o que pode um corpo, mergulho nas águas turvas e geladas da memória, mas as lembranças que chegam tem mais a ver com o futuro do que com o pretérito.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Todas as cores em tons de cinza


Uma escala que vai do mais forte ao mais fraco e vice-versa, do mais intenso e extremo ao delicadíssimo. As sutilezas ainda me atraem pelo modo em que estas se fazem presentes em nosso mundo. Dia após dia são as sutilezas as primeiras a morrer, as primeiras a serem ignoradas, as de menor valor. Todas as cores em tom de cinza, eis o conjunto de imagens apresentado acima e no cinza quantas cores se escondem? O cinza é uma cor de fuga. Cor de desaparecimento, tal como Blanchot, na literatura. Da literatura, e nós que não suportamos o literal, para a cartela de cores. É incrível, pois justamente onde se fala não há cor é aonde a maior parte das cores se esconde. O cinza é uma cor de esquina, de vértice, cor de ultrapassagem, quando todas as outras cores fogem, mesmo antes do branco e suas luzes refletidas, lá está o cinza e o prenúncio do imperceptível. O cinza antecede o devir-imperceptível. O cinza é a cor predominante no meio da névoa, e Umberto Eco não sai de casa sem um pouco de névoa. O cinza é delicado, é pijama, é uniforme de escola e ao mesmo tempo nada disso. Um cor entre outras, no intervalo das cores, procure pelo cinza.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

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... e sobretudo, delicadeza.