Um assunto, que virou notícia a circular pelos principais veículos de imprensa nesta tarde, em muito me intrigou: seriam os 37 torcedores da Coréia do Norte presentes no jogo desta tarde contra o Brasil pela Copa do Mundo na realidade atores chineses contratados por U$ 1,000 cada para apoiarem esta seleção?Pelo sim, pelo não, há muros por todos os lados.
“Você samba de que lado, de que lado você samba, de que lado você vai sambar.” (Chico Science)
O muro de Berlim caiu fisicamente, isso em 1989, e de lá para cá participamos pelo mundo afora, uns mais diretamente, outros menos, da contínua transformação de algumas bipolaridades em campos afeitos a transversalidades. Noções políticas como as de direita vs. esquerda, socialismo soviético vs. capitalismo transnacional (born in U.S.A.), dentre outras, que antes perambulavam soberanas em meio aos nossos universos referencias, hoje se perdem em meio ao lusco-fusco das possibilidades de escolha e de posicionamento contemporâneas (pós-modernidade?). Há quem diga até que estas noções caducaram, sendo substituídas pelos efeitos do avanço do neoliberalismo e suas metamorfoses, que chegam reforçados pela vertiginosa e inacabada globalização, operando na dissolução/transmutação intermitente de fronteiras, que cada vez estão mais porosas, tal como um queijo suíço (e às vezes até com ares de uma suposta neutralidade suíça). Há até quem comente que a oposição mais evidente no contexto político mundial de nossos dias, é a que se dá entre neoliberalismo vs. fundamentalismo terrorista (O quê?!)...discordo, embora tenhamos assistido a um debate vigoroso, envolvendo estas definições pelos mass media afora. Alguns muros caem, são derrubados, outros (apenas) se transformam.