Mostrando postagens com marcador escrita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escrita. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de março de 2015

.:::::desterro.



 
 
 
(...) n'um futuro não muito distante, um planeta antes chamado Terra será nomeado Desterro, lá 'viverão' drones, clones-híbridos de outros clones, mezzo-ciborgues e hologramas, ah, e as baratas. Todos interagindo socialmente por meio de interfaces digitalizadas através das quais se poderá fazer de tudo um pouco através de nada. Procrastinar será imperativo. Não haverá livrarias, tampouco livros, apenas vigilância e visibilidade. A linguagem será uma só, traduzida dos diversos idiomas de outrora em um número pré-determinado de verbetes com significados gerando sentidos sempre óbvios. A escrita se tornará motivo de vergonha, sendo substituída pelos excessos da comunicação verbal, que depois serão anulados pela telepatia, até que esta caia em desuso pela falta de assunto em meio ao infinito acúmulo de dados em loop. Os deslocamentos serão por pixels, nossa pele imagético-imaterial, e o dinheiro, bem esse continuará destinado aos poucos 'faraós' de outros tempos, e com eles já terá sido enterrado. O conceito 'smart', valorizado em outros tempos tornar-se-á obsoleto, não se falará mais em Inteligência Artificial, pois aquilo não terá sido algo tão inteligente. O esoterismo substituirá a ciência e os fundamentalismos atropelarão qualquer tipo de interação com o divino. Terão sido criados tantos deuses, todos pertencentes a crenças monoteístas, que já não se saberá bem  a quê ou a quem recorrer em meio ao desespero. The end.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

(...) escrita im_perec_ível

- Ah! Onde isso nos leva?

- Não teria sido melhor a pergunta: Aonde isso nos leva?, ou, se isso leva, O que é isso?, e, Para onde?

- E leva O quê?, ou, Quem? ... e Quem, ou, O quê parte?, e, De que parte?

- Nós?

- (talvez) Ainda não.

- Para onde?, no sentido de Em que direção?, ou, No sentido de parar? – Maldita ausência, ou saída de cena à força, dos acentos diferenciais. Fariam uma diferença enorme nesse momento.

- Parei.

- Mas, Onde estávamos mesmo? Em qual parte?

- Perguntávamos acerca de onde isso o que/quem leva, se leva, sem saber de onde se parte e para que parte.

- Teremos que partir a questão.

- Outra vez? Mas, a partir de onde?

- Vamos começar daqui, isso, de novo, e na tentativa de chegarmos acolá, vamos avançar.

- Mas, em qual sentido? Pergunto sobre o sentido, tanto enquanto uma direção a seguir, quanto da produção de algo acerca do qual se possa dizer: Ah! É isso.

- Queria mesmo era começar a ler Georges Perec e sua escrita imperecível, de uma literatura matemática, que mais oferece equações do que pretende resolvê-las.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nossos tempos e o desassossego


Em meio ao que por convenção, mais do que por convencimento, alguns costumam chamar pós-modernidade (outros, modernidade líquida, hipermodernidade, supermodernidade, contemporaneidade tardia, etc), de fato temos visto o lançamento de afirmações acerca do fim de um sem número de coisas. O fim da fotografia, do cinema, da literatura, da filosofia, das artes, da escola, do autor… fala-se muito sobre o fim, sempre no sentido de um final, um encerramento das atividades e produções, mas quase nunca se vê surgir na superfície um debate acerca das finalidades a serem atualizadas, dos objetivos a serem renovados, dos possíveis e da afirmação daquilo que se pode buscar (ainda), enfim, das saídas. O catastrofismo apocalíptico impera. Por outro lado, temos também alguns entusiastas que acreditam que as transformações recentes, embora vertiginosas, chegam para somar e são inofensivas e aprioristicamente SEMPRE boas e quase naturais.

A literatura há de sobreviver e se transmutar, a filosofia também. Não sei se são bens duráveis ad infinitum, mas seus processos criativos podem se transformar e se agenciar às máquinas dos tempos vindouros, de tal sorte que ao olharmos a imagem da literatura, a imagem da filosofia, não venhamos a reconhecê-las mais. Híbridas sem perder a fertilidade, dotadas de gadgets em meio às convergências de um pouco de quase tudo conectado a um monte de mais um punhado de coisas… Integrados? Em meio ao pensamento digital? Nanotecnológico? Nós? Em rede? Nós talvez de amarrações frouxas, porém, compondo linhas elastecidas.

Houve um tempo em que se falava que a literatura havia se tornado o ofício de jornalistas… e agora que em nosso país os jornalistas não carecem mais de diploma para o exercício de suas funções? Como vai ser? De todo modo, um diploma quase nunca fez falta a escritores e artistas… falo de um diploma a qualificar/condecorar um tipo de expert nesses ofícios.

Amigos meus do campo das artes também falam acerca de um endereçamento das artes a uns poucos privilegiados, interessados, sensíveis… embora eu concorde que as artes estejam para poucos, isso não lhes garante o ar, dito puro, da aristocracia. Não, não é superior.

Hoje nos exigem uma potência de ação capaz de dar inveja a Homero, Leonardo da Vinci… temos que ser multifacetados, multimídia, polivalentes, líberos, prolíficos, capazes de tudo em meio a regimes de tempo flexíveis e noções de espaço líquidas. Justamente em tempos nos quais, dado o volume de informações e sua velocidade de ampliação, não nos é possível dominar a multiplicidade de produções, nem mesmo de um campo de especialidade, o que dirá de mais de um, a um só golpe.

Temos um volume de escritores, não de literatura, que supera de maneira assustadora o número de leitores… eis um paradoxo… em nossos tempos há mais escritos sendo produzidos do que lidos. Quem escreve, não lê? Bom, ler, ao menos para mim envolve mais do que simplesmente reconhecer letras a partir da captura fisiológica que os olhos nos permitem.

As chamadas novas tecnologias trazem nuances renovadas aos problemas de nossos tempos, mas n’outros tempos, outras tecnologias também acrescentavam desafios desassossegadores.
Da série: Diálogos pela blogosfera: mais um texto que escrevo em resposta a outro post do meu amigo Jason Manuel Carreiro em Não há pensamento raro

terça-feira, 22 de setembro de 2009

just writingthinkingfeeling

What happens to our kids today? Oh, sorry, I said kids, but I wanted to say students, teachers, politicians, salespersons, mothers, fathers, thieves.... all kinds of our nature. Nature? Whatever is being said here, it doesn't really make any difference., just transitory categories, randomic taxonomy... bullshit... Oh, I said "said"? Wasn't it an experience of writing? welcome to the desert of the real... Desert? Real? What is going on? The words, even concepts... are you there? Is there anybody out there... still reading? Wanna work with me? Most people don't want to think... they want thoughts, already done... just perfect and absolut. They don't want to feel either, especially when feeling is a radical experience with the body. What the F***K is happening in this world? What if nothing happens, or if nothing is about to happen? Forget the IF... it is of no help at all.

terça-feira, 26 de maio de 2009

distânciatenção.

Qual seria a exata distância capaz de nos permitir a atenção máxima? Seria a distância de uma proximidade máxima, ou seja, a distância menor? Que haverá, ou melhor... melhor será,se houver, uma distância, a menor possível, pois que é absoluta, tal como nos alertou Blanchot. Porém, há mais problemas no que se entende por atenção do que nas unidades de medida de uma distância. Há muitos tipos de atenção que perfazem todo um discurso acerca da "atenção normal", a atenção filiada à norma que condena cotidianamente um sem número de crianças diagnosticadas como portadoras de déficit de atenção... não seriam, estas crianças, espécies pouco raras de analisadores a colocar em evidência um esquema de medicalização pautado, seja na inquestionável e legitimizada imcompetência de "certos" experts na arte da denúncia seguida de punição, ou estaríamos falando de algo mais perverso, a lógica de um mercado químico de soluções nada baratas... oh ouh, a escrita e suas vísceras.