quarta-feira, 18 de março de 2015
.:::::desterro.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
(...) escrita im_perec_ível

- Ah! Onde isso nos leva?
- Não teria sido melhor a pergunta: Aonde isso nos leva?, ou, se isso leva, O que é isso?, e, Para onde?
- E leva O quê?, ou, Quem? ... e Quem, ou, O quê parte?, e, De que parte?
- Nós?
- (talvez) Ainda não.
- Para onde?, no sentido de Em que direção?, ou, No sentido de parar? – Maldita ausência, ou saída de cena à força, dos acentos diferenciais. Fariam uma diferença enorme nesse momento.
- Parei.
- Mas, Onde estávamos mesmo? Em qual parte?
- Perguntávamos acerca de onde isso o que/quem leva, se leva, sem saber de onde se parte e para que parte.
- Teremos que partir a questão.
- Outra vez? Mas, a partir de onde?
- Vamos começar daqui, isso, de novo, e na tentativa de chegarmos acolá, vamos avançar.
- Mas, em qual sentido? Pergunto sobre o sentido, tanto enquanto uma direção a seguir, quanto da produção de algo acerca do qual se possa dizer: Ah! É isso.
- Queria mesmo era começar a ler Georges Perec e sua escrita imperecível, de uma literatura matemática, que mais oferece equações do que pretende resolvê-las.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Nossos tempos e o desassossego
A literatura há de sobreviver e se transmutar, a filosofia também. Não sei se são bens duráveis ad infinitum, mas seus processos criativos podem se transformar e se agenciar às máquinas dos tempos vindouros, de tal sorte que ao olharmos a imagem da literatura, a imagem da filosofia, não venhamos a reconhecê-las mais. Híbridas sem perder a fertilidade, dotadas de gadgets em meio às convergências de um pouco de quase tudo conectado a um monte de mais um punhado de coisas… Integrados? Em meio ao pensamento digital? Nanotecnológico? Nós? Em rede? Nós talvez de amarrações frouxas, porém, compondo linhas elastecidas.
Houve um tempo em que se falava que a literatura havia se tornado o ofício de jornalistas… e agora que em nosso país os jornalistas não carecem mais de diploma para o exercício de suas funções? Como vai ser? De todo modo, um diploma quase nunca fez falta a escritores e artistas… falo de um diploma a qualificar/condecorar um tipo de expert nesses ofícios.
Amigos meus do campo das artes também falam acerca de um endereçamento das artes a uns poucos privilegiados, interessados, sensíveis… embora eu concorde que as artes estejam para poucos, isso não lhes garante o ar, dito puro, da aristocracia. Não, não é superior.
Hoje nos exigem uma potência de ação capaz de dar inveja a Homero, Leonardo da Vinci… temos que ser multifacetados, multimídia, polivalentes, líberos, prolíficos, capazes de tudo em meio a regimes de tempo flexíveis e noções de espaço líquidas. Justamente em tempos nos quais, dado o volume de informações e sua velocidade de ampliação, não nos é possível dominar a multiplicidade de produções, nem mesmo de um campo de especialidade, o que dirá de mais de um, a um só golpe.
Temos um volume de escritores, não de literatura, que supera de maneira assustadora o número de leitores… eis um paradoxo… em nossos tempos há mais escritos sendo produzidos do que lidos. Quem escreve, não lê? Bom, ler, ao menos para mim envolve mais do que simplesmente reconhecer letras a partir da captura fisiológica que os olhos nos permitem.
As chamadas novas tecnologias trazem nuances renovadas aos problemas de nossos tempos, mas n’outros tempos, outras tecnologias também acrescentavam desafios desassossegadores.
