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quarta-feira, 18 de março de 2015

.:::::desterro.



 
 
 
(...) n'um futuro não muito distante, um planeta antes chamado Terra será nomeado Desterro, lá 'viverão' drones, clones-híbridos de outros clones, mezzo-ciborgues e hologramas, ah, e as baratas. Todos interagindo socialmente por meio de interfaces digitalizadas através das quais se poderá fazer de tudo um pouco através de nada. Procrastinar será imperativo. Não haverá livrarias, tampouco livros, apenas vigilância e visibilidade. A linguagem será uma só, traduzida dos diversos idiomas de outrora em um número pré-determinado de verbetes com significados gerando sentidos sempre óbvios. A escrita se tornará motivo de vergonha, sendo substituída pelos excessos da comunicação verbal, que depois serão anulados pela telepatia, até que esta caia em desuso pela falta de assunto em meio ao infinito acúmulo de dados em loop. Os deslocamentos serão por pixels, nossa pele imagético-imaterial, e o dinheiro, bem esse continuará destinado aos poucos 'faraós' de outros tempos, e com eles já terá sido enterrado. O conceito 'smart', valorizado em outros tempos tornar-se-á obsoleto, não se falará mais em Inteligência Artificial, pois aquilo não terá sido algo tão inteligente. O esoterismo substituirá a ciência e os fundamentalismos atropelarão qualquer tipo de interação com o divino. Terão sido criados tantos deuses, todos pertencentes a crenças monoteístas, que já não se saberá bem  a quê ou a quem recorrer em meio ao desespero. The end.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Os urgentes desafios do comum...


Os urgentes desafios do comum... de que modos criarmos o comum, espaço fértil às conexões entre heterogêneos, lugar de militâncias ditas menores, do micropolítico que sorrateiramente empurra o macropolítico. O que está em jogo nos dias de hoje é o “como viver junto”, inspirado nesta colocação de Barthes, mas levando-a a outros cantos. E assim nos embrenharmos em meio aos acontecimentos lá onde eles de fato acontecem, não acontecem, estão para acontecer... eis o campo propício a intervenções!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Acontecimentalizar



Outra noite dessas, numa aula em que trabalhamos o que pode uma intervenção, digamos, psicossocial e afins... fragmentos de uma degravação...velocidades da fala, do gesto, aqui em letras, palavras soltas de RFelipe, sob a inspiração de um punhado de intercessores.novembro de 2009 - PUCMINAS


Acontecimentalizar não é o mesmo que contextualizar. Contextualizar nos indica a necessidade da existência apriorística de um enredo estabelecido, de um mapa já dado, de um tabuleiro, enfim, de um contexto em que tudo o que se encontra pelo caminho deverá ser encaixado.

Aquilo que foge ao contexto, que possui uma lógica que talvez não sejamos capazes de dizer que “tem lógica”, o contra-senso, o ilógico, o non-sense, o improvável, não costumam fixar aderência em um contexto cristalizado.

Já dissemos noutras oportunidades que uma intervenção irrompe quando algo acontece, não acontece, está para acontecer. Eis os três tempos, condições e/ou circunstâncias que costumam disparar uma intervenção e que podem ocorrer isolados ou combinados. Uma intervenção, que aqui chamamos psicossocial, e para isso nos balizamos em meio às contribuições do Movimento Institucionalista (i.e.: Análise Institucional, Pedagogia Institucional, Socioanálise) e da Esquizoanálise. Neste tipo de intervenção a nossa postura deverá ser a de um trabalhar com (não disse “trabalhar.com”, embora não apresente a priori restrições a um “trabalhar.com” desde que não se deixe de trabalhar com, rs.), o contrário de um trabalhar sobre ou de um trabalhar para.

Deleuze nos sugere tratar os acontecimentos tal como estes surgem, com os efeitos que estes produzem, nos guiando pelas raspas da experimentação, fugindo dos excessos de uma interpretação que no mais das vezes remetem a uma busca pela origem. Ele insiste em nos alertar para que evitemos a todo custo fazer de um acontecimento um drama de grandes proporções. Isso nos é complicado, especialmente em dias como os de hoje, em meio à exagerada espetacularização de tudo e de todos. Somos capazes de morrer à míngua à espera dos grandes acontecimentos, enquanto um sem número de acontecimentos ditos menores nos rodeiam, nos atravessam.

Acontecimentalizar, em meio a inspirações advindas do entrecruzamento de Deleuze e Foucault, nos remete à cartografia de linhas, o que se faz no instante mesmo em que estas se elastecem, rompem, cruzam, transversalizam, fogem. E também à genealogia de forças, em que aquilo que mesmo não sendo capazes de descrever cientificamente somos capazes de sentir. O menor e o maior; o que dura mais e o infinitesimal; o mais forte e o mais intenso, mesmo quando sutil.”

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

monstros bicéfalos


Por vezes repito as mesmas perguntas: O que acontece? O que não acontece? O que está para acontecer? Eis três perguntas que contemplam todo um rol de entrada em intervenção, da produção de demandas, passando pela contínua (quase infinita) análise das implicações, à utilização de dispositivos, etc. E quando se entra em intervenção muito acontece, não acontece e está para acontecer. É quase que somente disso que se trata. Em meio à dança "louca" disparada pelos analisadores, impera a lógica dos acontecimentos. Refiro-me aqui às intervenções socioanalíticas e me amparo no vai-e-vem intensamente inspirador presente nos registros deixados por Lourau & Lapassade. Ah, quanta saudade desses dois, que tal como o monstro bicéfalo Deleuze & Guattari, que também deixaram saudade, ainda em muito nos assombram. Estranha potência das duplas, ou seria dos duplos? E nem é preciso mencionar que cada um desses cada-dois que mencionei são às vezes apenas o singelo efeito de um punhado de bandos de todas as bandas. E há ainda umas tantas duplas-duplos mais por aí de estranha força, o Gordo e o Magro, Bouvard e Pécuchet, Tom e Jerry, Dr. Jekill e Mr. Hyde, etc. São muitos os monstros bicéfalos por aí, com quais desses estamos às voltas? Certamente com os que acontecem, não acontecem, estão para acontecer.