segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Fala que eu te escuto.


Do coaxar de um sapo ao co-achar de um encontro...

A princesa beija o sapo que devém príncipe e daí as núpcias, que segundo D&G é quando se instaura o melhor momento de um tempo intenso.

Outro dia um amigo me disse que estava fazendo análise e eu prontamente lhe perguntei: "análise de quê?" Bem poderia ser análise financeira, econômica, de conjectura... poderiam ser tantas as análises. E ele me olhou estranho, como se eu já devesse saber apriori, dizendo em seguida se tratar de psicanálise, ora bolas! Ah! Agora entendo o porquê de certos colegas terem tanto medo de dizer análise e serem mal compreendidos. Análise não é sinônimo de psicanálise, não que eu saiba, mas talvez eu não saiba o bastante, mas à boca pequena parece que a coisa funciona assim:
fazer análise = psicanálise. Pura matemática, à boca pequena... é que o sapo, justamente pelo tamanho de sua boca, não foi convidado para a festa no céu.

Um sapo, para início de prosa, que animal mais interessante. Mezzo-terrestre, mezzo-aquático, por via das dúvidas, na intercessão de duas categorias, que tal anfíbio? E isso lhe caiu tão bem. Um bicho medido por seus saltos, bicho de brejo, metamorfose ambulante que habita a fugacidade de uma vitória-régia a cada salto. A necessidade de habitar as águas e terras, é aí que reside toda sua fragilidade, sendo também daí que ele extrai toda a sua potência. Para co-achar é preciso habitar ao menos dois mundos. Talvez fazer análise tenha mais a ver com esta força sonora emitida pelo sapo.

Um comentário:

Patricia Andrade Varela Favano disse...

adorei o texto, amo sapos! eles só vão para frente. e aos saltos, veja bem! beijos, beijos, sorrisos.