quarta-feira, 3 de março de 2010

Co-incidências, uma Vida.

Podemos suspeitar que vivemos em um mundo regido pelo acúmulo de incidências, encontros, cruzamento de linhas, componentes de multiplicidades as mais diversas, ora a se chocarem, ora a nem sequer se tocarem.

Do que mais gosto acerca das coincidências? O efeito assombroso que elas nos causam. Tal como se houvesse qualquer coisa para chamarmos de ordem. Pode haver ordens, desordens, algo que seríamos supostamente capazes de traçar, acompanhar, monitorar, controlar... (?) e ao mesmo tempo, após a linha limítrofe de nossas competências cognitivas, um completo descontrole, a ausência mesmo que temida, de razão. Já nem mais bem sei. Pois, desde que Prigogine e Stengers resolveram nos apresentar ao emaranhado de incertezas que o “balé” entre espaço tempo desenha através de uma “nova” espécie de aliança, tremendamente inusitada, perdi o chão – nunca soube voar.

A sincronicidade, tal como nos inspira Jung tem um pouco de quase tudo a ver com as coincidências e se a este conceito atrelarmos a idéia de imanência tão cara ao nosso querido Polidor de Lentes, Spinoza, eu arriscaria dizer que o que as linhas de uma coincidência costumam traçar nada mais é do que o balizamento de um plano de imanência. Alguns balizamentos, quiçá espaços de ultrapassagem.

E por último, mais uma vez, lembro-me que o palco comum a umas tantas coincidências em uma Vida não poderia deixar de ser do tamanho de uma esquina. As esquinas, sempre elas... quantas coincidências, alguns bons encontros, esquinas afora.

5 comentários:

Manuel Carreiro disse...

Então vou te contar um caso ocorrido algumas horas antes de eu chegar em casa e ler seu post:

Fui a um café de que gosto muito, carregando "Man and his symbols", do Jung.

A garota que fez o meu café encantou-se pela capa do livro, me contou que havia se formado em Artes liberais e que agora considerava Direito ou Psicologia.

"Coincidentemente", claro, terminado o café, deixei o livro em cima da mesa com uma nota na primeira página: "espero que você goste do livro".

P.S.: aguardo sua porrada sobre "Os pequenos deuses..."

:-)

Rafael Reinehr disse...

Prigogine, bifurcações, encontro de um novo blog...

rfelipe disse...

Manuel Carreiro:... as sincronicidades, pode apostar. Jung desenvolveu um arsenal conceitual muito interessante, ainda por ser melhor aproveitado na minha opinião, em agenciamentos com as questões dos dias de hoje.

Rafael:Seja bem vindo ao blog, pelas bifurcações da blogosfera. Mais de Prigogine está por vir neste blog, aguarde. Aliás, visitei o espaço/blog/site/coletivo que você anima e fiquei encantado.

Abraços.

Brisa Bernard disse...

n sei o que dizer de tudo o q li. vejo-me a escapar dos conceitos, dos rótulos e das frases feitas. sim, esse mundo é uma bola e a gente vaise marcando no outro cada vez que cruza por aqui, por ali, por todos os lugares.

eis-me aqui, na teia e na rede. talvez sejamos mesmo O peixe da vez.
www.diravieira.zip.net

rfelipe disse...

Olá Brisa, que bons ventos a trazem aqui, para esta ciranda de co-incidências... Abraços e volte sempre.