sábado, 7 de março de 2009

"extraordinary machine"

"So what would an angel say the devil wants to know ?" (F. Apple)

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quinta-feira, 5 de março de 2009

"for someone half as smart...

...you'd be a work of art." - E.Smith

Daí que não se pode prever o que já aconteceu ou não aconteceu, tampouco driblar as flechadas do destino. Destino, tal como os estóicos, um passo dado e a flecha acerta em cheio. Uma Vida outra é o que se põe a viver depois disso. Não adivinhamos o destino, advizinhamos. e como diria o bigodudo, na história da humanidade, o homem nunca se deu bem ao consultar o oráculo.

terça-feira, 3 de março de 2009

... e o muro caiu. (mais uma vez)

Mais de uma vez, numa sequência de dias, a produção incessante de conceitos extremamente perecíveis, para usos fugazes, tem sido a tônica das animações em sala de aula. "O laboratório", ou o espaço(tempo) apropriado para derrubarmos o Muro de Berlim cotidianamente, este que ao chegarmos já estava lá e instaura continuamente a dicotomia mais triste de todos os tempos, a que mantém separados professor e alunos. Que erro ter dito professor e alunos, por que não dizer aquele bando de lá, um bando qualquer, e parar com essa mania de usar os nomes que também já estavam lá, à espreita, esperando-nos para nos enquadrar. É verdade que alguns não só vibram em favor de tal muro, como são seus maiores pedreiros, serventes de obra e engenheiros, entretidos nesta construção ilusória, a da separação entre as mais belas forças, que são as que animam o ensinar-aprender.

domingo, 1 de março de 2009

a design for a life

Bastou o nascer de mais um dia e ele se pôs de pé novamente, só para reafirmar a insistência de um cotidiano quase sempre renovado, mesmo quando ao que tudo indica, mais um dia significa mais do mesmo. Como de costume, o ritual de seu habitual consistia em uma espécie de banho de gato pela manhã: água no rosto, sabonete, água no rosto novamente, escova de dentes, pasta de dente, dentes limpos e cabelo desgrenhado - por que pentear um punhado de cabelos que de rebeldes aceitam a forma que o vento se lhes impõe? - pensou, e pensou de novo - hoje vai ser um grande dia, é domingo, e quase ninguém suporta o dia que antecede a segunda-feira.

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"We dont talk about love we only want to get drunk" - M.S.P.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

pensamento sem imagem_____________devir

As núpcias, ou o que ainda há de suave num encontro antes da captura. Apresento-lhes uma imagem acima, que está longe de ser uma grande novidade para muitos de vocês que acompanham estes escritos. Trata-se de um encontro nada raro entre uma orquídea e uma vespa. Encontro proposto pelo monstro bicéfalo D&G (engraçado isso d'eu insistir em escrever bice_falo, rs.), em seus escritos, nos desafiando com a proposta de que arriscassemos um mergulho assaz vertiginoso na aventura de um pensar sem imagem. Seria isso realmente possível? Tal como o sorriso do gato para Alice? A imagem acima dispara um paradoxo imediato ao servir para nos auxiliar na tarefa de um pensar sem imagem. Uma imagem para pensar sem imagem? Sim, e isso parece bem difícil para nós que não conseguimos deixar de recorrer ao uso imoderado de metáforas, (ou à crença de que tudo que é heterogêneo, especialmente em uma proposição, ou tratar-se-ia de uma metáfora, ou de um disparate), à utilização da interpretação como o método par excelence e da dialética quase como o paradigma imperativo em qualquer processo de pensamento. Oh, pensar, acontecimento por vezes raro num mundo de zumbis e vampiros, esses mortos-vivos que nos cercam, nos atravessam/habitam, dentre os quais somos obrigados a nos incluir também. pois já fomos mordidos e já tivemos nosso sangue sugado. Pensar sem imagem então!!! Isso que se torna cada vez mais raro, pensar, ocorre sem cessar, a todo momento. Ocorre no mais das vezes nas costas do do próprio pensador. Oh, puxa! E ocorre de pensarmos sem imagem também, apesar de que suportamos esta vertigem por pouquíssimo tempo e lá estamos nós lançando mão de uma imagem para representar um movimento. As linhas de fuga nos inquietam, nos atormentam, denunciam encontros entre heterogêneos, as núpcias... e mediante esta intolerável sensação, lá estamos nós, os primeiros a produzir mais linhas, desta vez um pouco duras, a cristalizar o movimento. Eis um vai-e-vem dos mais frenéticos! Tal como a orquídea e a vespa, a desterritorialização e subsequente reterritorialização de um devir-orquídea da vespa e de um devir-vespa da orquídea. a todo instante o que devém?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"Io sono un fortunato" - tal como Fellini

Alinhar à direita_____________________________________________"But how many corners do I have to turn?
How many times do I have to learn?
All the love I have is in my mind?
Well, I'm a lucky man
With fire in my hands
I hope you understand
I'm a lucky man"

(lucky man - verve)

Sentir-se um afortunado, por que não? Por que a culpa, ou tantas desculpas. Afinal, se numa Vida em sua imanência, há destes instantes em que isso pode ser dito, porque é assim, de certo modo sentido, qual a razão de tamanho pudor, uma certa vergonha... por que? Por que? Certa vez um bonachão Federico Fellini disse numa entrevista a um repórter americano, que começou em inglês e lá pelas tantas se italianizou: "Io sono un fortunato" - frase esta que me persegue, de tempos em tempos, talvez por habitar minha memória afectiva trazendo à baila a força afirmativa de um Nietzsche "amigo meu", um tal bigodudo, que nos ensina a vibrarmos sob o amparo do desassossego. Sentir-se um afortunado, ou tanto melhor, tornar-se. Pelas esquinas, encruzilhadas, tipo de espaço-tempo imperativo de travessias e de travessuras, tal como na supracitada canção do Verve, ou simplesmente "I'm a lucky man".

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

monstros bicéfalos


Por vezes repito as mesmas perguntas: O que acontece? O que não acontece? O que está para acontecer? Eis três perguntas que contemplam todo um rol de entrada em intervenção, da produção de demandas, passando pela contínua (quase infinita) análise das implicações, à utilização de dispositivos, etc. E quando se entra em intervenção muito acontece, não acontece e está para acontecer. É quase que somente disso que se trata. Em meio à dança "louca" disparada pelos analisadores, impera a lógica dos acontecimentos. Refiro-me aqui às intervenções socioanalíticas e me amparo no vai-e-vem intensamente inspirador presente nos registros deixados por Lourau & Lapassade. Ah, quanta saudade desses dois, que tal como o monstro bicéfalo Deleuze & Guattari, que também deixaram saudade, ainda em muito nos assombram. Estranha potência das duplas, ou seria dos duplos? E nem é preciso mencionar que cada um desses cada-dois que mencionei são às vezes apenas o singelo efeito de um punhado de bandos de todas as bandas. E há ainda umas tantas duplas-duplos mais por aí de estranha força, o Gordo e o Magro, Bouvard e Pécuchet, Tom e Jerry, Dr. Jekill e Mr. Hyde, etc. São muitos os monstros bicéfalos por aí, com quais desses estamos às voltas? Certamente com os que acontecem, não acontecem, estão para acontecer.